Naquela fresca manhã de verão, não me recordo bem, mas acho que era segunda-feira de carnaval, ele despertara languidamente sentindo que seu sono era observado, ainda que sonolento e a visão embaçada, olha para o lado e vê que a idealização do amor que buscara um dia estava ali ao seu lado em pé a observá-lo dormir.
Mesmo sonolento conseguia distinguir os olhares calmos e serenos, que alguns dias atrás lhe despertaria novamente para o amor, o sorriso franco e sincero que via estampado naquele rosto lhe dera a certeza que o sonho acabara estava sim vivendo a realidade, trocaram as primeiras palavras do dia: Bom dia!
Mesmo que nu não se sentira envergonhado, era a primeira noite que haviam passado juntos, uma calma invadira-lhe a alma e o corpo, e permanecera na cama estendendo-lhe a mão num convite sem palavras apenas gestual, sim, diante de seus olhos tinha agora a personificação do amor tantas vezes idealizado mas sem nunca de fato encontrá-lo, agora era preciso naquele momento abraçar e tocar, e assim fizeram.
Enquanto estava abraçado pôs-se a questionar sobre a existência do amor e como alguém poderia dizer que o amor não passava de uma mera ilusão dos sentimentos humanos ou mesmo que o amor pode acabar, não ficara mais que alguns breves instantes, não iria se acabar em filosofia vã e tão abstrata.
O amor estava ali agora ao teu lado na personificação de um homem, a vontade de estar e permanecer junto era muito forte, e se abraçaram, e mais uma vez se sentira renovado, diferente de tudo o que havia experimentado antes, era sereno, sem afãs ou desejos voláteis, entregara-se sem medo aos seus mais secretos desejos.
As horas então já não se arrastavam, eram ritmadas num compasso que só o cosmos poderia explicar, e tinha para si aqueles olhos azuis esverdeado...
E ele então viu-se amando novamente, nada impedia de ir adiante...