- O horror daquele momento ¿ Continuou o Rei
- Eu jamais esquecerei, jamais esquecerei!
- Você esquecerá ¿ Retrucou a Rainha,
a menos que faça um memorando deleJá era quase madrugada quando Resolveu sair andando a esmo pelas de sua cidade, uma necessidade de caminhar àquela hora tardia da noite seria loucura para muitos, masp ara ele não.
Tentara dormir, estava sonolento, mas ao quedar-se na cama seu cérebro liberou pensamentos adormecidos num turbilhão avassalador, mil vezes implorara a Morfeu que lhe desse um pouco de descanso, perdido e vago de pensamentos, o corpo reclamava o sono reparado, inútil apelo.
Das técnicas respiratórias da Yoga, a meditação Zen, nada fazia efeito, então num ímpeto vestiu uma bermuda folgadA, calçou um tênis e uma camiseta, municiara-se de algum trocado e algo que o identificasse, olhou para o celular, e deixou-o sobre a cômoda, não desejaria ser perturbado ou mesmo que perguntassem por andava naquelas altas horas.
Saiu de seu quarto, passando pela cozinha tomara um copo de água da torneira, adorava isto, não acendera luz alguma e o mínimo barulho foi feito, queria sair sorrateiramente, lembrara-se das vezes que na cozinha ficava a beira do fogão inventando comidas, ainda tinha prazer mesmo que os tempos fossem outros. Fechou a porta atrás de si e deixaria um pouco a saudade que lhe invadira o ser.
Atravessou o portão, o ar fresco da madrugada encheu-lhe de animosidade, o perfume primaveril dos jasmins agregado a outras flores que exalam seu mais belo perfume enquanto os pobres mortais se encontram no reino de Morfeu.
No céu a Lua minguante caminhando para a lua nova alto já se ia, na rua um gato negro atravessara seu caminho correndo atrás de um rato, a luta pela sobrevivência não tinha hora nem lugar, ficara por longos minutos observando a luta de vida e morte, parecia ele em sua luta íntima.
Sem rumo certo se deixara guiar pelo instinto, não sabia por quanto tempo andara, mas estava em um lugar que poucas vezes estivera, mas conhecia o caminho de cor e salteado, nunca passara além dos muros, era e sempre fora um estranho, além daqueles muros só ouvia as vozes de uma mulher e de alguns outros homens, não sabia quem ali habitava, apenas conhecia um dos seus moradores, apenas ele, nem sabia se ainda morava por estes muros.
Ficou sentado a beira da calçada por longos momentos, preso em suas lembranças, como bom escorpio ficava remoendo o passado, sentiu-se traído mais uma vez, as lágrimas copiosamente escorriam formando poças o chão. Estava tudo tão triste, por muito tempo reprimira aquele choro, sentindo-se leve levantou-se, tivera a certeza que enterrara de vez o passado com aquelas lágrimas.
O caminho da volta transcorrera tão leve quem breves instantes estava de volta aos seus domínios, e mais uma vez sentiu o olor agradável das damas da noite, estava alegre, vencera mais uma luta, outras ainda vão ser travadas,num livro emprestado por uma amiga, viu sua vida em escrita quase indecifrável até então, entendera que para mudar, precisaria deixar de ser o lagarto cinzento, buscar a águia e renascer como a mitológica Fênix.
Arrancou as roupas e sob o chuveiro deixou a água morna acariciar-lhe a pele, e como Narciso amou-se perdidamente...