Sonhos de Ícaro
Outros Sonhos


Sábado, Março 27, 2004


Sexta-feira, 26 de março, fui ao cinema, aliás, o que mais tenho feito ultimamente, há algum tempo estava esperando entrar em cartaz, aqui em Goiânia, cidade onde moro, o filme Dolls, já havia lido por aí em alguns bloggs algo sobre.
Então fui conferir.
Eis aqui as minhas impressões pessoais:
Dolls, filme de Takeshi Kitano, começa com cenas do tradional teatro japonês de fantocheso bunraku, com resultados assombrosos.o diretor traz deste mundo ludíco com tal maestria e perfeição a história trágica para a tela de um cinema.
São três histórias entremeadas neste drama exercem impacto cumulativo e sua tristeza comovente é retratada com uma poesia visual que exerce um certo fascínio aos olhos observador da platéia, no caso eu.
O filme começa com uma encenação no Teatro Nacional de Tóquio de O Mensageiro do Inferno, do autor do século 17 Monzaemon Chikamatsu, sobre amantes malfadados.
Os fantoches de madeira usam figurinos cerimoniais e, em determinado momento, a música e a narrativa cantada dão lugar a sucessores de carne e osso: um casal conhecido como "os mendigos amarrados".
Eis então que começa a poesia visual, tudo muito perfeito, quase não há diáogos, no decorrer do filme são narradas três histórias e todas com o mesmo elo de ligação, o amor.
Mas o amor neste filme não passional, mas um tipo de amor que só que já viveu algo parecido sabe como é, amor devocional. A trama principal que dá gancho às histórias menores são de duas pessoas que por uma questão cultural são obrigadas a romperem unm compromisso de noivado por imposição dos pais dele, ela tenta suicídio qdo ele vai se casr, ele abandona a noiva no altar e vai em busca da mulher que ele escolhera, ela está com amnésia.Presos por um cordão vermelho, eles vagam pelas ruas, parques e campos numa viagem que abrange as quatro estações do ano.
Na outra história, o velho chefão da Yakuza, Hiro, se recorda com saudades de quando era mais moço.
Trinta anos antes ele deixara seu emprego numa fábrica e sua namorada fiel , prometendo voltar para buscá-la quando fizesse sucesso. Mas ele acabou se envolvendo demais em sua carreira ilícita e a deixou para trás.
Retornando ao parque onde eles costumavam se encontrar, ele descobre que ela ainda o está esperando, ficando sentada num banco todos os sábados.
A parte final do filme fala de Haruna (Kyoko Fukada), uma popstar de sucesso que vive cercada por legiões de fãs.
Desfigurada num acidente de automóvel, ela se isola do mundo e se recusa a ser vista. Ela abre uma exceção para Nukui (Tsutomu Takeshige), um homem também solitário que lhe dá provas drásticas de sua devoção fanática, mas torna-se alvo da inveja de um fã rival.
Os temas de devoção, sacrifício e amor como atos extremistas, insensatos e irracionais são constantes nas três tramas que o roteiro de Kitano entremeia com precisão.
O clima tristonho se prolonga além dos créditos finais, permitindo que os temas-chave continuem a ressoar na cabeça dos espectadores
É também carregado de uma simbologia nas roupas, figurino de YAMAMOTO, que representa as estações do ano, modernas, ou que nos remetem aos kimonos.é tudo dentro do contexto!
Eu amei este filme, algo parecido com algo que vivi, e agora me recupero!


Mensagem deOrion Sábado, Março 27, 2004

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Quinta-feira, Março 25, 2004






cá do meu canto
as horas se arrastam
cá do meu canto
tento inventar o tempo
para que ele passe mais rápido
não consigo
e reinvento a mim mesmo
como um quebra-cabeças
num jogo lúdico daquilo que sou
nada mais além
do que serei um dia
inventor de mim mesmo,
e,
cá do meu canto
fico introspectivo a me refletir
na passagem das horas
que se arrastam
que te arrastam
ah! esse tempo que insiste em não passar
ah! esse tempo que me aflige

Mensagem deOrion Quinta-feira, Março 25, 2004

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Domingo, Março 21, 2004


Para os que não me conhecem, eis aqui uma foto deste escriba

Quando decidi pela criação deste blogg foi na intenção de terapeutizar meus problemas através da expressão escrita, pouco me importando se era lido ou não, como até hoje, esse exercício quase que diário tem me ajudado, aqui aprendi a ser mais ponderado, menos impulsivo, alguams vezes fui até sinistro, mas era preciso.
Falei de amores, experiências, lembranças, por fim, utilizei este espaço como um diário mesmo, por algum tempo fiz questão de ocultar a minha sexualidade, uma forma de me preservar, com o passar dos meses, fui mudando essa concepção inicial, um novo template, depois outro mais ousado, me expondo e mostrando ao que vim.
Até então pouquíssimas vezes, uma ou duas acredito eu, falei sobre politíca, mas agora diante dos fatos que estão acontecendo no meu Brasil, bem eu falo no meu Brasil porque este blogg é lido além mar e acima da linha do Equador, sou um ser com uma formação politíca razoável, leio algumas coisas, procuro entender, mas agora acho que chegou a hora de falar na baderna que por aqui se instalou.
Minha militância politíca começou aos 15 anos, o país passava por uma transformação, estavamos lá pelos idos de 1981/82 vivendo a abertura, lenta mas progressiva, conheci o PC do B ainda menino levado pelas mãos de minha irmã, a primeira luta foi pela instituição da meia passagem estudantil, detido alguams vezes mas era menor.
Depois veio o movimento pelas diretas já, diversas idas e vindas a Brasíla sempre com um ideal de que estava lutando por uma sociedade civil livre e amparada, quando da morte do então presidente eleito Tancredo Neves, eleito por voto indireto, chorei muito, ainda me emociono ao ouvir na voz de Milton Nascimento a música Coração de Estudante, alí vi meus sonhos serem diluídos, veio uma nova Constituição, novas esperanças, mas cometeram um único erro ao promulgarem-na, que se chama Medida Provisória, hoje o país está sendo governado por isto, que considero iguais aos Atos Institucional.
Durante muito tempo eu apoiei o Sr.: Luís Inácio "Lula" da Silva em suas candidaturas a presidente da república, fiz panflatagem, briguei nas ruas, pedia votos, eu acreditava na ideologia socialista do PT, eis que ele alacança o tão sonhado cargo, comemorei a sua vitória, fui pra praça acompanhar a contagem dos votos, e lá mais uma vez eu chorei, mas um choro de alegria, de anos amargurando o caos que já estava instalado neste país.
Com a ascensão de Lula ao poder, pensave eu, quanta ingenuidade a minha, que estaríamos livres de escândalos, de corrupções, do empreguismo, mas hoje o que vejo me deixa triste, sinto-me desamparado, fraco, pior ainda é ouvir a gozação das pessoas pra quem eu um dia pedi voto e elas diziam pra mim: ele. o Lula, vai ser igual ou pior que os outros, teoria agora por mim constatada. diante de tantas notícias que estão circulando por aí em qualquer meio de comunicação.
Cade os empregos? A cena ocorrida no Congresso Nacional foi lastimável, uma pessoa tentar suicídio para chamar a atenção dos dirigentes pra falta de empregos? Precisaremos todos nós cometer algum ato insano para que nossos probelmas sejam solucionados?
Fui crédulo, e abusaram de mim.
E boa semana para todos!
Mensagem deOrion Domingo, Março 21, 2004

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